segunda-feira, 23 de junho de 2008

DE RUA EM RUA

DE RUA EM RUA

Ru-
as.

As
ru-
gas dos
dogues
dos
anos
sona-
dos.

Nos cavalos de ferro
das janelas das casas que correm
saltaram os primeiros cubos.
Cisnes de pescoços-campanários,
torcei-vos nos fios do telégrafo!

No céu se grava o guache das girafas,
desaviva a ferrugem dos penachos.
Brilhante como truta
o filhoda leiva sem lavra.

O mágico
puxa
da goela do bonde os trilhos,
oculto pelo mostrador da torre.

Estamos ganhos.
Banhos.
Duchas.
Elevador.
A dor leva o corpete da alma.
Ao corpo queimam os dedos.

Grites ou não grites"eu não queria!"-
ao cortequeimamos medos.

O vento farpado
arranca
da chaminé
um farrapo de lã esfumaçada.
O lampião calvodespe voluptuosamente
da rua
uma meia preta.

(Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)

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