terça-feira, 24 de junho de 2008

ENSAIO

Ensaio de ensaios
Estilo formal
Aonde o rabo vai à procura do rosto

Trazer o fora
dentro
Desconhecido inexplicável
Quiçá apontado

Obra
Dobra
Desobra

Buscar um aconchego nas letras
Quanta ingenuidade

quando

TODA AMEAÇA ESTRANGEIRA SE AFASTA DA INTIMIDADE

A INTIMIDADE SE TORNA UMA AMEAÇA ESTRANGEIRA


Loucura desrazão
Presente passa
Passado presente

Obra se realiza somente quando se desmancha
desobra
Fundo sem fundo
Sem referencial

Palavras poéticas: presença de uma ausência

Se manter vizinho da loucura subordina a reflexão
Justamente aonde ela se interrompe
PENSAR SEM IMAGENS
CORPO-SEM –ORGÃOS










Para Laura:Aprendamos a viver a pergunta

segunda-feira, 23 de junho de 2008

DE RUA EM RUA

DE RUA EM RUA

Ru-
as.

As
ru-
gas dos
dogues
dos
anos
sona-
dos.

Nos cavalos de ferro
das janelas das casas que correm
saltaram os primeiros cubos.
Cisnes de pescoços-campanários,
torcei-vos nos fios do telégrafo!

No céu se grava o guache das girafas,
desaviva a ferrugem dos penachos.
Brilhante como truta
o filhoda leiva sem lavra.

O mágico
puxa
da goela do bonde os trilhos,
oculto pelo mostrador da torre.

Estamos ganhos.
Banhos.
Duchas.
Elevador.
A dor leva o corpete da alma.
Ao corpo queimam os dedos.

Grites ou não grites"eu não queria!"-
ao cortequeimamos medos.

O vento farpado
arranca
da chaminé
um farrapo de lã esfumaçada.
O lampião calvodespe voluptuosamente
da rua
uma meia preta.

(Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)